Se você já abriu um kit de pincéis e não sabe bem qual usar para cada finalidade, a resposta está no formato: cada pincel é feito com uma densidade de cerdas e um corte pensados para uma tarefa específica, e uma esponja funciona de um jeito diferente de qualquer pincel. Entender essa diferença é mais útil do que decorar nomes, porque permite olhar para um pincel que você não conhece e deduzir para que serve.
- Um pincel denso e de corte reto deposita mais produto e constrói cobertura; um mais solto e arredondado esfuma e deixa menos produto aparente.
- Uma base líquida ou cremosa pode ser aplicada com pincel para obter mais cobertura ou com uma esponja úmida para um acabamento mais leve; nenhuma opção é "melhor", o resultado muda de acordo com o que você busca naquele dia.
- O blush em bastão pode ser esfumado com os dedos ou com um pincel compacto, dependendo de você priorizar rapidez ou precisão.
- Um kit com três ou quatro ferramentas bem escolhidas costuma dar conta de uma rotina completa de maquiagem para o rosto, sem necessidade de um conjunto com onze peças.
Antes de escolher: o que muda de um pincel para outro
A primeira coisa que vale observar em um pincel não é o cabo nem a cor das cerdas, mas o formato da cabeça e a quantidade de cerdas. Um pincel denso e de corte reto, como o usado para base ou blush cremoso, pega e deposita mais produto a cada passada, então constrói cobertura rapidamente. Um pincel mais solto, com cerdas mais espaçadas e formato arredondado, distribui menos produto por passada e é usado principalmente para esfumar as bordas e misturar, como acontece com os pincéis para blush em pó ou iluminador.
Essa mesma lógica explica por que não é necessário ter um kit enorme para maquiar o rosto todo. Com um pincel para base (ou uma esponja), um para blush, um para iluminador e, se quiser, um para pó, você cobre as etapas de que a maioria das rotinas precisa. As outras peças de um kit grande costumam ser variações de densidade ou tamanho dessas mesmas quatro funções.
O pincel (ou a esponja) para base
Para aplicar uma base líquida ou cremosa, a opção mais comum é um pincel reto ou do tipo kabuki, que distribui o produto de maneira uniforme e permite construir a cobertura em camadas (fonte: Maybelline Espanha). O movimento que funciona melhor com esse tipo de pincel é fazer movimentos suaves e ascendentes, trabalhando do centro do rosto para fora, para que o produto se incorpore sem acumular nas linhas (fonte: Oechsle).
Pincel reto ou kabuki
Essa é a opção para quando você busca mais cobertura e um acabamento um pouco mais definido, porque o pincel deposita mais produto a cada passada e permite construir sobre essa base sem diluí-la.
Esponja úmida
Uma esponja de maquiagem levemente umedecida funciona de outra maneira: em vez de arrastar o produto, ela o pressiona contra a pele, o que incorpora melhor o pigmento e deixa um acabamento mais leve e natural (fonte: Maquillalia). Nenhuma das duas ferramentas muda o que a base pode fazer; o que muda é quanto produto fica aparente e como ele se assenta na pele.
É o caso de uma base como Foundation 14, cuja textura fluida é fácil de esfumar e ganha cobertura à medida que novas camadas são aplicadas: com pincel, essa construção em camadas fica mais marcada; com esponja, o resultado fica mais natural desde a primeira passada.
O pincel para blush e quando vale a pena usar os dedos
Para blush em pó, solto ou compacto, o formato mais comum é um pincel de tamanho médio, arredondado ou levemente chanfrado, que pega o produto e o distribui nas maçãs do rosto sem deixar linhas marcadas (fonte: Maquillalia). O blush em bastão ou cremoso funciona de outra maneira, e é aí que entra a escolha entre os dedos e o pincel.
Uma maquiadora profissional descreve dois métodos válidos para usar blush em bastão: aplicar o produto diretamente na bochecha e esfumar com os dedos para cima e para trás, o método rápido para o dia a dia, ou pegar o produto diretamente do bastão com um pincel e dar leves batidinhas na pele, esfumando em direção às têmporas, o que dá mais precisão e é mais higiênico, já que evita tocar no produto com as mãos (fonte: InStyle Espanha). Para esse tipo de fórmula cremosa, também vale usar um pincel mais denso e compacto do que os pincéis soltos usados com blush em pó, porque um pincel muito aberto não pega bem o produto cremoso.
O pincel para iluminador: precisão nos pontos altos
O iluminador não é aplicado na bochecha toda, mas em pontos específicos, e por isso seu pincel é menor e tem cerdas mais macias que o de blush: ele foi pensado para controlar a quantidade de produto, não para cobrir uma área ampla (fonte: Maquillalia). Os pontos onde ele costuma ser aplicado são a parte alta das maçãs do rosto, o arco da sobrancelha, a ponte do nariz e o canto interno dos olhos, ou seja, as áreas onde a luz incide naturalmente.
Usar um pincel grande de blush para aplicar iluminador costuma resultar em um brilho difuso pela bochecha toda, em vez do ponto de luz concentrado que esse produto busca; com um pincel pequeno, o mesmo iluminador rende mais porque é aproveitado exatamente onde é aplicado.
O pincel para pó: para selar, não para construir a base
O pincel para pó costuma ser o maior do kit, com cerdas macias e pouco densas, e sua função não é adicionar cor nem cobertura, mas fixar a maquiagem já aplicada e controlar o brilho da pele (fonte: Maquillalia). É comum confundi-lo com o pincel para base justamente porque também é grande, mas ele cumpre o papel oposto: enquanto o pincel para base constrói cobertura, o pincel para pó a protege sem adicionar mais produto por cima.
Usá-lo com a mão leve, dando batidinhas em vez de fazer movimentos carregados, evita desfazer o trabalho que você já fez com o pincel ou a esponja para base. Se você notar que o pó está acumulado ou com aspecto pesado, geralmente é sinal de que está usando produto demais ou aplicando muita pressão, não de que o pincel seja inadequado.
O pincel para os lábios: um extra, não uma obrigação
Um pincel para os lábios é pequeno e preciso, e dá mais controle sobre a quantidade de produto aplicada e onde fica o contorno da cor do que aplicá-lo diretamente do batom ou do aplicador (fonte: Miriam MX). Isso importa principalmente quando você trabalha o contorno com um lápis labial ou quando quer uma cor translúcida e uniforme, aplicada em camadas finas.
Para uma rotina do dia a dia, com um batom de cobertura normal ou um gloss, geralmente é suficiente aplicar o produto diretamente, e o pincel fica como uma ferramenta para ocasiões em que você quer mais precisão, não como uma etapa obrigatória.
Um kit básico para uma rotina simples
Com tudo isso, um kit pequeno dá conta de uma rotina de maquiagem para o rosto sem a necessidade de acumular pincéis que você vai acabar usando pouco. Uma base líquida como Foundation 14 funciona com um pincel reto ou kabuki quando você busca mais cobertura, ou com uma esponja úmida quando prefere um acabamento mais leve, dependendo do resultado que quer naquele dia. Um blush em bastão como Blush Stick Signature pode ser esfumado com os dedos se você estiver com pouco tempo, ou com um pincel compacto quando quiser controlar melhor o contorno da cor. E um iluminador como Highlighter Champagne só precisa do pincel pequeno e macio descrito antes, aplicado nos pontos altos do rosto.
Se você também quer entender o que realmente entra na fórmula dos seus produtos de maquiagem, este guia sobre os ingredientes da maquiagem vai direto ao ponto. E se está procurando mais guias práticos como este, no blog da DIVAZ você encontra os outros artigos sobre pincéis, ferramentas e técnicas de aplicação.